O Poder das Palavras

Querido Diário,

Talvez não te deva chamar diário... Já sou um bocadinho velha para isso! Chamar-te-ei Amaia. Não sabia mais como me expressar portanto recorri ao poder das palavras e da escrita mas é mesmo disso que gostaria de falar contigo. De que forma é que algumas palavras têm impacto na nossa vida? Especialmente quando essas palavras, ou frases, ou o que quer que seja, são mentiras? 

Provavelmente deves estar a pensar "Elena deixa-te de merdas! Vais ter de aprender a lidar com mentiras durante toda a tua vida!" mas Amaia essa não é a questão aqui! Eu estou habituada a lidar com mentiras sim, da maior parte das pessoas. Mas nunca daquela pessoa! E a forma como me foi revelada foi demasiado bruta para eu ter tempo de pensar naquilo que tinha acabado de acontecer. No meio disto tudo a culpa é minha... Não passo de uma adolescente anti-social patética que quando gosta de alguém se revela completamente a essa pessoa e está à espera que aconteça o mesmo por parte da outra pessoa. Não passo de uma miúda estúpida não é verdade? Gostava de lhe deixar um recado... "Se um dia estiveres a ler isto fica a saber que nunca pensei que fosses capaz de me mentir por uma coisa tão estúpida como esta. Bastava dizeres que não querias estar comigo... Eu iria compreender! Aproveita bem essa pussy enquanto dura mas quando voltar a explodir não me venhas pedir para resolver as coisas entre vocês de novo."

Se foi um abre olhos? Sim foi! Mas tinha mesmo de ser por parte daquela pessoa? Eu não estava preparada! Não estava! Hoje voltei a tomar aquelas merdas para adormecer. Ainda não fizeram efeito mas espero que não demore muito. Ainda não consegui parar de chorar... Acabei de ter uma recaída! Palmas para mim! Estou demasiado frustrada para pensar nas consequências mas lá terei de arcar com elas... Sozinha... Como sempre.

Não sei o que fazer.

Obrigado por me teres ouvido. Prometo que serei breve a entrar em contacto contigo novamente pois, na verdade, para além de ti quem é que realmente quer saber?

Um beijinho,

Elena Delvaux

Eurovision Song Contest 2018: My Top 5 (So Far)

Vamos falar sobre o Festival Eurovisão da Canção...

Depois da nossa estrondosa vitória em Kiev no ano passado com o tema "Amar Pelos Dois" escrito por Luísa Sobral e interpretado pelo irmão, Salvador Sobral, obtivemos 758 pontos, a maior pontuação obtida na história da Eurovisão e vencemos pela primeira vez depois de 53 participações. Fomos também a primeira música, em dez anos, a ganhar no idioma do próprio país. 

Obrigada Luísa! Obrigado Salvador!













Pela primeira vez Portugal será o país anfitrião do concurso que prende milhares de pessoas à televisão, essencialmente, por toda a Europa. A cidade escolhida foi Lisboa e o local o Altice Arena. Teremos a concurso 43 países e o slogan será "All Aboard!". Já são também conhecias as quatro apresentadoras do concurso. 

Todas elas são familiares aos portugueses: Catarina Furtado, Daniela Ruah, Filomena Cautela e Sílvia Alberto. Por fim, foi também revelado um projeto de como será o palco do Altice Arena durante o festival. Tal como todos sabem já foram reveladas algumas músicas e neste post vou-vos apresentar o meu Top 5. 




Canção Nº5 - "Storm" de SuRie - Reino Unido


Canção Nº4 - "Mercy" de Madame Monsieur - França


Canção Nº3 - "Lie To Me" de Mikolas Josef - República Checa


Canção Nº2 - "Oniro Mou" de Yianna Terzi - Grécia



Canção Nº1 - "Tu Canción" de Alfred e Amaia - Espanha




E vocês? O que acham das músicas já reveladas? Deixem-me as vossas opiniões nos comentários!



#45 A Filha do Arco-Íris

Título: A Filha do Arco-Íris
Autora: Daniela Afonso
Editor: Chiado Editora
Nº de Páginas: 30
PVP: 13€

Sinopse: "Detentora de uma grandiosa beleza e também bastante vaidosa, a Filha do Arco-Íris rejeita todos os pretendentes que a tentam conquistar. Até que um deles, astuto e determinado, vai conseguindo descobrir o caminho para o seu coração, tornando-o colorido quando outrora fora negro. Mas essa não é a única transformação que abala o mundo arrogante e ganancioso da donzela…
Será o verdadeiro amor merecedor de tamanha perda e sacrifício?
Ou será a perda do verdadeiro amor o pior de todos os destinos?
E, sobretudo, será o amor realmente verdadeiro?"



A Minha Opinião:

O pequeno conto apresentado por Daniela Afonso conta-nos a história de uma rapariga que, à semelhança de Rapunzel, está numa torre alta e tem uns grandes cabelos, mas ao contrário da menina dócil apresentada pela Disney, a Filha do Arco-Íris tem os seus longos cabelos da cor do arco íris e é extremamente rude com todos os seus pretendentes.

Um dia, um pretendente depois de ser rejeitado pela rapariga decide não desistir e continua a tentar conquistar o coração da jovem até que, depois de um beijo, a rapariga começa a perder as suas cores e apercebe-se que o amor é muito mais importante do que a beleza dos seus cabelos.

É um livro muito rápido de ler, pois trata-se de um conto infantil, ideal para quem quer dar uma pequena escapadela da realidade pois todos nós gostamos de sentir a nostalgia da infância em que ouvíamos os nossos país a lerem-nos centenas de livros como este.

Pessoalmente, aquilo de que mais gostei foram as ilustrações e gostaria de, publicamente, dar os parabéns à Catarina Guerreiro pelo seu excelente trabalho.

Boas Leituras!

#44 A Última Carta de Amor

Título: A Última Carta de Amor
Título Original: The Last Letter From Your Lover
Autor: Jojo Moyes
Editor: Porto Editora
PVP: 17,70€

Sinopse: "Algumas palavras podem terminar uma relação ou fazer renascer um amor perdido

Inglaterra, 1960. Quando Jennifer Stirling, uma mulher de vinte e sete anos, acorda no hospital, após um trágico acidente de automóvel, não tem qualquer lembrança da sua vida passada. Não reconhece o marido, não recorda a sua própria casa e tão-pouco se identifica com a vida que lhe dizem ser a sua. Quando encontra uma carta apaixonada, escrita por um homem que assina apenas «B» e que lhe pede para abandonar o marido, irá a todo o custo tentar descobrir a identidade desse homem, enquanto enfrenta os preconceitos sociais estabelecidos.

Anos volvidos, em 2003, uma outra mulher, Ellie, descobre nos arquivos poeirentos do jornal onde trabalha a mesma carta enigmática. Fica de imediato obcecada pela história, que lhe permitirá escrever um artigo que relance a sua carreira e talvez até a ajude a lidar com a sua própria vida amorosa. Afinal, se aquela história tiver tido um final feliz, quem lhe garantirá que o homem com quem se envolveu não acabe também por deixar a mulher?

Uma história de amor apaixonante e arrebatadora, com um final absolutamente inesperado."

A Minha Opinião:

Como já devem ter percebido sou um fã incondicional de Jojo Moyes e, como era de esperar, este livro contribuiu para sustentar ainda mais essa minha opinião acerca da escritora.

O livro conta-nos a história de Jennifer Stirling, uma rapariga jovem, muito bonita e que cativa a atenção de todos por onde passa, mas que depende financeiramente do marido. Uns anos mais à frente conhecemos Ellie Haworth, uma mulher solteira, que trabalha como jornalista, e que ao fazer uma reportagem acaba por se envolver com um homem casado e a sua vida muda completamente e ao dedicar-se demasiado ao homem que conheceu vê a sua prestigiada carreira em risco. As duas histórias acabam por se cruzar quando Melissa, a chefe de Ellie, lhe dá uma última oportunidade para criar uma reportagem excelente para a capa do próximo jornal.

Uma particularidade que me agradou bastante neste livro foi a separação dos capítulos. Todos eles iniciavam-se com excertos de cartas aleatórias que não apareciam em mais nenhum momento do livro mas, que de certa forma, estavam relacionados com a ação do capítulo. Outra coisa que também me agradou foi a separação do livro em três partes, sendo que as duas primeiras contam a história de cada uma das personagens e a terceira a ação das personagens depois de se conhecerem.

Para mim, o clímax do livro foi a revelação de quem era o misterioso B, o amante secreto de Jennifer com quem esta trocava cartas. Nunca pensei que fosse aquele personagem visto que parecia não ter qualquer interesse para o livro.

Mais uma vez Jojo Moyes, com uma escrita leve e de interpretação fácil, soube mostrar o enorme talento que possuí numa história que parte o coração até aqueles que se dizem mais fortes. Recomendo!

Classificação do Livro: 10/10




#43 A Vampira

Título: A Vampira
Autora: Martina Romero
Editora: Talentos da Literatura Brasileira – Novo Século
Nº de Páginas: 256
PVP: R$35,00

Sinopse: "Katherine Miller é uma vampira que foi transformada há mais de três séculos por seu grande amor, Daniele. Depois de oito anos juntos, ele decide abandoná-la para mantê-la segura, já que ao seu lado ela corria perigo. Antes de partir, porém, Daniele promete protegê-la, ainda que de longe, sob qualquer circunstância. Para um vampiro, a palavra é tudo, mas Kath não se convence e, a partir daquele momento, abdica de qualquer sentimento. Agora, trezentos anos depois, sozinha e diante da eternidade, Katherine é uma vampira sem compaixão, que mata sem parar. Para se entreter, ela se matricula na universidade e, logo no primeiro dia de aula, reencontra alguém de seu passado. O choque é enorme. O que ele fazia ali? Mesmo com sede de vingança, Katherine começa a perceber que, apesar de tudo, ainda sentia algo por Daniele. Negando esse sentimento para si mesma, tenta mascará-lo com raiva, mas, aos poucos, começa a ceder. Ele ainda quer protegê-la, pois há um grande perigo à espreita. Para ficarem juntos, porém, ela terá que deixar seu rancor de lado."

A Minha Opinião:

Primeiramente gostaria de, publicamente, agradecer à autora por me ter enviado a sua obra e por todo o trabalho que teve para o fazer.

Este livro conta-nos a história de Katherine, ou Catarina como era chamada antes de ser transformada, uma vampira com trezentos anos que perdeu toda a sua humanidade quando Daniel, ou Danielle, um vampiro com setecentos anos, a abandonou pouco tempo depois de a ter transformado. Desde então, Katherine passa a vida a matar mortais inocentes e aniquilou toda a raça de Caçadores de Vampiros. Ou pelo menos isso era o que ela pensava.

Quando se decide candidatar à Faculdade de Medicina de New Orlands, Tatia, a sua melhor amiga bruxa, avisa-a de que um novo Caçador de Vampiros chegou à cidade, e Katherine afirma que isso é impossível. Porém, quando no primeiro dia de aulas vê Daniel e lembrasse da tua antiga promessa, Katherine começa a achar que afinal esse novo Caçador possa realmente vir caça-la. Juntamente com Daniel, um novo vampiro aparece, Jessie, vampiro esse que é carinhoso para Katherine e que a faz "cair de amores" por ele provocando um pouco de ciúmes a Daniel.

É através do ponto de vista de Katherine que ficamos a saber de tudo aquilo que se passa, juntamente com flashbacks que a mesma têm conforme o desenrolar do livro. O livro apresenta um enredo muito interessante e com história, com várias reviravoltas, sendo a minha favorita, a descoberta da irmã de criação de Daniel e o conflito entre ela e Katherine. Um outro ponto positivo do livro é a sua escrita boa e bastante fluída de Martina, ponto este que se deve salientar visto que a autora tem apenas quinze anos.

A única coisa que me desiludiu um pouco foi o final pois deixa muito a desejar, deixando-nos com muitas perguntas, entre elas, "O que aconteceu com o Caçador?" ou "Será que a irmã de criação de Daniel vai querer vingança?" mas espero que a autora nos vá presentear com um segundo volume, esclarecendo esta questões.

Gostei do livro, foi de leitura rápida e manteve-me preso durante um bom número de horas. Sem dúvida alguma que recomendo!

Classificação do Livro: 8/10




ENTREVISTA À AUTORA R.C. VICENTE

Olá Raquel!

  • Primeiramente... O que faz uma jovem de 22 anos no mundo literário?


Boa tarde, Pedro.
Bom… uma jovem de 22 anos, no mundo literário, só pode fazer uma coisa… lutar incessante e ferozmente pelos seus sonhos e objectivos. Trabalhar sem parar.


  • Como surgiu a ideia para o livro?


Esta história surgiu há muitos anos, quando eu tinha apenas cinco aninhos. Os meus pais tinham o hábito de me adormecer entre eles, pela noite, e o meu pai começou a inventar histórias no momento, a improvisar. Narrava-me um conto diferente todas as noites, e eu fechava os olhos e via tudo na minha cabeça, como se fosse um filme. Era algo tão mágico e colorido que acabava por ter em mim o efeito oposto. Adormecia primeiro a minha mãe, depois o meu pai… e eu ficava a protestar, a exigir que ele terminasse de me contar a história. Para além disto, a minha mãe costumava-me ler inúmeros contos infantis, e incentivou-me à escrita muito cedo, aliás, foi ela quem me ensinou a escrever — entrei no primário, e já sabia praticamente tudo. Em brincadeiras, com cinco anos, criei dois personagens. O Cavaleiro Andante e a Milady. Naquele tempo, na minha cabeça, aquelas duas figuras faziam imenso sentido. Enquanto brincava, interpretava essas figuras. Umas vezes era o Cavaleiro Andante, pegava num balde de cal que os meus avós tinham no quintal, misturava-lhe [sem que ninguém visse] um bocado de água, mexia aquilo tudo, e, após calçar uns carismáticos botins vermelhos, punha-me a andar de um lado para o outro, fingindo que o dito Cavaleiro Andante tinha dupla identidade e, desmascarado, era um homem comum, um simples leiteiro. Outras era a Milady, pegava num pedaço de pano, fingia que este era um xaile e punha-me a desfilar pela terra, fingindo perder a dita peça de vestuário e depois ser abordada pela primeira vez pelo Cavaleiro Andante, que ma vinha devolver. Outras vezes era a estalajadeira da vila em que eles viviam e dedicava-me a destruir tomates e outros legumes que a minha avó me dava para brincar, e sujava-lhe tudo. Depois também era o pai que se opunha ao amor do Cavaleiro Andante e da Milady, os inimigos do Cavaleiro Andante [ah… não imagina quantas vezes me atirei para a terra da fazenda, fingindo travar violentas batalhas…], e muitos outros, quase que incontáveis, personagens que ia criando todos os dias. Os anos foram-se passando e eu acho que me neguei a crescer. A vida corria-me mal e a minha forma de refúgio era parar no tempo, dormir de olhos abertos, e viver as aventuras daquelas figuras na minha mente. Dominei com maestria essa arte. Em casa, na rua, na escola, era um verdadeiro robot. Uma máquina. Estava ali o meu corpo, mas a minha mente e a minha alma estavam muito longe. Aos onze anos de idade, mudei-me para Espanha com os meus pais e o meu irmão mais novo, e com a minha história, obviamente. Descobri um novo mundo, conheci uma nova realidade e a minha mente expandiu-se. Surgiram centenas de novos personagens. Acho que o que aconteceu verdadeiramente foi algo muito simples: eu amadureci, e tudo o que criara até então foi igualmente forçado a crescer. Nós mudamos. As histórias também mudam. Isso aconteceu comigo. E foi nessa época em que me entreguei à literatura. Passei por uma fase anti-leitura, como todas as crianças, e quando me tornei numa pré-adolescente a única forma que a minha mãe encontrou de me aliciar, de me puxar novamente para os livros, foi recorrendo ao factor hormonal. Ao pecado dos pecados. Naquela época, eu queria apenas criar uma banda desenhada. Via na literatura algo demasiado sério, fora isso o que a escola me ensinara até ali. Literatura era coisa de gente bem comportada, educada. Literatura tinha regras, não dizia asneiras e era pura, casta. Imagine só o susto que apanhei quando a minha mãe me apresentou ao pecado literário, aos afamados romances de cordel. Júlias, Sabrinas, Biancas. Romances melosos com cenas de sexo. Numa época em que dizia que não gostava de ler, agarrei-me a esses livros apenas para provar da sua liberdade, matar a curiosidade e ser testemunha do pecado. Tal coisa alterou drasticamente a minha história, bem como a minha visão do mundo. Mas o auge da mudança deu-se quando eu tinha treze anos, aquando de uma das minhas visitas a Portugal. Estava em Santarém, num hipermercado, na zona da literatura, e a minha mãe exigiu-me que escolhesse um livro. Eu, que só me interessava por romances de cordel e banda desenhada japonesa, torci o nariz. Não queria aqueles assustadores montes de folhas. Mas tive de escolher um. Procurei pelas prateleiras e vi uma capa com um homem ruivo e uma espada. E impulsionada por uma exacerbada estupidez, pensei de imediato que aquele livro era um livro de banda desenhada japonesa. Escolhi aquele e ao chegar a casa desiludi-me. SÓ TINHA LETRAS. No entanto, lá me conformei e dei-lhe uma hipótese. Bastou-me uma linha, uma só linha para me apaixonar para sempre. Aquela obra era A Espada de Fogo, do autor Stuart Hill, um livro de fantasia. Com ele descobri que a literatura não tinha limites, que seres fantásticos existiam nela, era mais, que esses seres fantásticos compunham um só género. Descobri nesse momento a literatura, mas, acima de tudo, descobri-me a mim mesma. E soube, tive a certeza, que todas as histórias que criara até àquele momento, aquelas histórias que me acompanhavam nos bons e maus momentos, um dia seriam um livro. Dos meus treze anos para a frente, escrevi incessantemente o meu livro. Trabalhei-o. Dediquei-me de corpo e alma. Ajudou-me a superar o bullying, a violência e tortura psicológica à qual fui submetida por um suposto amiguinho do secundário, e uma depressão fruto disso. Aos dezoito anos escrevi ‘FIM’. Aos vinte e um, terminei uma edição de três anos, e o livro saiu. Assim surgiu a ideia, desenvolveu-se e nasceu o livro ‘O Ressurgir dos Eternos Titãs’. E caso se sinta curioso para saber o que aconteceu ao Cavaleiro Andante e à Milady  da Raquel de cinco anos, eles são o Christyen Mönttbráncc e a Kandall Kandell em O Ressurgir dos Eternos Titãs.       


  • O que disseram os seus pais quando lhes disse que queria publicar um livro?


Apoiaram-me desde o primeiro momento. Mas o verdadeiro voto de confiança veio quando eu dei provas do meu trabalho colocando um fim à primeira versão do manuscrito. Porque os sonhos são muito bonitos, mas sem trabalho, sem esforço, não significam nada. Se queremos a confiança dos outros, temos de dar provas do que valemos. Foi isso que aconteceu. Acreditaram desde o início, mais ainda quando provei que tinha vontade.


  • Quem foi a primeira pessoa a ler o livro?


A minha mãe.


  • A versão que foi publicada é a mesma desde sempre ou sofreu alterações?


Nem pensar. Publicar o primeiro manuscrito de qualquer coisa é um erro feio, a não ser que se tenha uma equipa de peritos a transformarem algo carregado de erros e falhas numa obra-prima, ou seja, a fazerem o trabalho que nos compete. Aí é outra história. Agora quando tudo depende de trabalho árduo e honesto, do nosso trabalho, nunca se apresenta uma primeira versão. Eu perdi a conta às centenas de versões que escrevi de O Ressurgir dos Eternos Titãs. Por isso, não. A versão publicada não é a primeira. E sim, sofreu muitas alterações.


  • Quem foi a pessoa que mais a apoiou durante o processo de escrita?


 Ambos os meus pais me apoiaram.



  • Quem é o Maximiliano? É baseado em alguém do seu quotidiano?

    O Maximiliano não é a minha primeira criação, mas é o meu filho. Não é baseado em ninguém. As vidas apresentadas em As Crónicas de Amindrius, Bérnia e Efendes nasceram do nada, sem bases ou influências. Existem e são livres, ainda que apenas na minha mente. O Maximiliano é a mais fascinante de todas elas. Chamo-lhe meu filho porque a sua forma de amar, de sentir, é muito semelhante à minha, embora sejamos completos opostos em muitos aspectos e as nossas histórias em nada estejam relacionadas… felizmente! Ele é o Demónio do Norte, o senhor de Dörv, o filho enjeitado de Vládimïr Von Rimer, uma das figuras mais temidas nos Gémeos Indomáveis. Para a verdadeira mãe dele, para mim… só posso dizer uma coisa que digo a muita gente em tom de brincadeira: ‘‘Não encontro homem perfeito porque chamo de filho ao meu homem perfeito’’. Maximiliano Von Rimer é o meu ‘‘ideal masculino’’, o meu adorado filho, o monstrinho amado da minha obra.





  • Porque decidiu criar uma história baseada num mundo de Deuses e Magia? E porquê numa era tipo medieval?


Não decidi nada, acredite ou não. Aconteceu porque aconteceu. Porque senti que era assim. Eu não comando o meu mundo. Ele tem vida própria e desenvolve-se sozinho. Sou uma mera expectadora. Quanto à ‘‘era tipo medieval’’, bom, isso teve dedo meu. Em primeiro lugar permita-me que esclareça algo: Ídnulmör é gigantesco, não se limita àqueles continentes e ilhas apresentados no primeiro volume das crónicas. Mas mesmo que se limitasse a eles, permita-me esclarecer que as suas sociedades não são de ‘‘tipo medieval’’, pelo menos, não todas. O Império de Dovrökk é o único inspirado na Idade Média, uma Idade Média personalizada à minha maneira e adulterada pelas vontades do meu mundo e dos seus habitantes. O Império de Cálármand, por sua vez, é mais inspirado na Idade Moderna, com algumas características medievais. O Império de Órdepúr é fortemente inspirado na França do Rei Sol, bem como no Egipto Antigo. O Império de Anzúrme inspirado na Era Vitoriana. Por último, o Arquipélago Sálvicio na Idade Média e na Grécia Antiga, o Arquipélago Kórzino na Antiguidade e na Idade Moderna, e Karkalis e Jäje-Ýan são algo aparte, onde não obtive inspirações de épocas específicas, ou países\povos durante essas eras. Resumindo, o meu mundo é muito mais do que o apresentado, e, mesmo o apresentado, não se limita a uma única sociedade de ‘‘tipo medieval’’.   


  • Porque decidiu escolher nomes criados por si e pouco usuais?


Se me apresentam um mundo fictício, quero nomes fictícios. Seria demasiado aborrecido, senão ridículo, criar um universo fantástico e em vez de chamar a Dovrökk… Dovrökk… dar-lhe o nome de Portugal ou Dinamarca. Também não seria muito lógico chamar a Maximiliano Von Rimer, Maximiliano Silva, ou Sousa. Se reparar, misturei nomes do nosso mundo com nomes criados por mim. E isto tem uma razão, o Iahannack, língua falada nos Gémeos Indomáveis, tem inspirações de diversas idiomas do nosso mundo. Eu queria algo só meu, mas também algo familiar. Desfragmentei algumas coisas, criei outras com base em sons que me transmitiam determinada sensação, e assim nasceram os nomes ‘‘pouco usuais’’ que misturei com nomes comuns cujos sons se podem encaixar no idioma ficcional que idealizei. Se estivesse a escrever Baixa Fantasia, subgénero onde estão inseridas histórias que contêm elementos fantásticos, mas que acontecem no nosso mundo, seria perfeitamente aceitável para mim usar nomes nossos. Mas na Alta Fantasia, onde tudo é criado de zero, não fazia sentido. 


  • Como se sente quando dizem que o seu livro é idêntico à famosa série de televisão, “A Guerra dos Tronos”, adaptada dos livros de George R.R. Martin?


De certa forma chocada. Primeiramente porque ‘‘idêntico’’ é uma palavra muito forte. Depois, porque não possuo ainda nem uma décima parte da qualidade do mestre Martin. E sou forçada a dizer que quem faz esse tipo de declaração, ou não leu o meu livro, ou não assistiu à série, muito menos leu os livros de A Guerra dos Tronos. Famílias nobres a guerrearem entre si [e menciono isto pois já tivemos esta conversa em privado] existiam muito antes de A Guerra dos Tronos. Inglaterra, Portugal, toda a Europa, foi algo que fez parte do nosso passado. Da História do nosso mundo. E na minha história nem sequer é o foco principal, e é das poucas parecenças que podem ser apontadas entre o meu livro e a obra do mestre George R.R. Martin e respectiva adaptação. Mas são comentários que vão ser sempre feitos por quem não está acostumado ao género da Alta Fantasia, e, verdade seja dita, soa-me a elogio, não a ofensa. Rastejo aos pés do mestre Martin, sou uma formiguinha perto dele, é uma honra ver o meu trabalho ser comparado a tão grande senhor do género. Para estar no seu patamar — se é que alguma vez lá chegarei — ainda tenho muito caminho por percorrer. É uma honra ter conhecimento desse tipo de comparações.


  • Soube que foi a Raquel que tratou de todo o design do livro, desde a capa, aos mapas até à paginação. Porquê?


Exactamente. Foi tudo feito por mim. Sou completamente obcecada com esta minha obra, queria tudo feito como havia idealizado. A verdade é que podia ter pedido à minha editora, dado as indicações todas, no entanto, preferi assim. Gosto de trabalhar com tudo o que está relacionado com arte. Foi um prazer e creio que me aproximou mais do leitor.


  • Como foi criar um mundo totalmente novo e diferente do atual?


PERIGOSO. Foi fácil permitir que ele nascesse, difícil foi escrever a história sem cair em erros graves, em contradições.


  • E quando à Mitologia? Quais foram as maiores dificuldades durante o processo de criação de uma mitologia totalmente nova?


A mesma dificuldade que mencionei na pergunta anterior sobre o mundo. Referir-me aos Deuses e a todas as histórias e lendas do mundo, e contrariar o dito na introdução e no prólogo durante o desenrolar da história.


  • Se alguma produtora a contactasse para adaptar o seu livro a filme/série qual gostaria que fosse? Porquê?


Ainda é muito cedo para pensar nessas coisas e, para dizer a verdade, não estou muito familiarizada com o mundo do cinema.


  • Quais os atores que escolheria para as personagens principais? Porquê?


Se o milagre de uma adaptação acontecesse, não seria nenhum conhecido. Defendo que se deve de dar oportunidades a novos talentos.


  • Qual a sua personagem feminina preferida? E masculina? Porquê?


No meu livro? Theodósia Stelisbuz e Maximiliano Von Rimer. Pela forma e inteligência de que são senhores, e por toda a integridade que possuem atrás das suas máscaras de malvadez. No livro de outros autores? Oskan, de As Crónicas de Icemark, do autor Stuart Hill. É uma figura calma, inteligente e corajosa como poucas. Adoro-o. E a personagem feminina seria Corinn Akkaran da saga Acacia, do autor David Anthony Durham. É uma mulher de garra que [SPOILERS] após se apaixonar pelo usurpador do trono do seu pai e se descobrir grávida dele, teve a força necessária para fazer justiça.


  • Quais são os seus três escritores preferidos? Sentiu alguma influência deles durante o processo de escrita?


Stuart Hill, Laura Gallego Garcia, J.R.R. Tolkien e David Anthony Durham. Não podem ser três, lamento imenso, Pedro. Têm de ser quatro. Hill, Garcia e Tolkien tiveram sem dúvida uma grande influência, são as minhas grandes inspirações, os meus deuses literários. Durham não teve influência alguma porque já tinha terminado O Ressurgir dos Eternos Titãs quando o descobri, mas adoro-o e defendo-o com todas as minhas forças.


  • Como se vê daqui a 10 anos?


Com umas rugas a mais? Estou a brincar! Ah… Daqui a 10 anos… espero ter encontrado o amor verdadeiro… Não um príncipe. Exijo o meu demónio. E espero ter filhos. Mas acima de tudo, espero ter conseguido fazer as minhas histórias chegarem a muitos leitores e poder desfrutar da alegria desse sucesso com a minha família amada.


  • Considera-se uma pessoa ambiciosa?


Muito. Muito mesmo. Mas no bom sentido. Fui criada numa família de grandes valores, uma família honesta. Sou dona de uma grande ambição que só pode ser saciada justamente, com o esforço do meu trabalho e sem derrubar ou usar ninguém pelo meu caminho. Sou positivamente ambiciosa.


  • Como se sente quando recebe uma opinião menos agradável acerca do seu livro?


Não sinto nada. Algumas pessoas vão gostar, algumas pessoas vão odiar. Eu amo o meu livro, estou orgulhosa dele e fico feliz sempre que encontro alguém que também o ama. Quando não gostam dele, paciência. A vida é assim. Claro que, se a pessoa tiver uma crítica construtiva, que seja algo mais do que uma destrutiva mascarada e bem maquilhada, terei todo o prazer em ouvir ou ler, e tirar ideias que me ajudem a melhorar em obras futuras. É este o desafio de todo o escritor, aprender a filtrar.


  • A quem dedica este seu “filho”?


À minha família, em especial, aos meus pais.


  • Já iniciou o próximo livro? Alguma ideia do título? O que poderão os leitores esperar dele?


Já, mas não digo nada! Será o segredo mais bem guardado até 2018… ou 2019… ou 2020…


  • Pode-me falar um pouco sobre o que é a JEDLP?


O JEDLP foi um projecto que criei em 2016 com o objectivo de promover a literatura lusófona, ou melhor, os novos autores da literatura lusófona. De momento, está parado. Contei na altura com a ajuda de outros escritores, no entanto, entre escrever livros, editar livros e alguns a lidarem com os seus trabalhos e estudos, foi impossível manter activo. Mas terei novidades para 2018. É um projecto que jamais morrerá. Os autores de língua portuguesa têm de se ajudar uns aos outros e o JEDLP foi criado para isso mesmo.


  • Por fim, acha que me pode falar um pouco sobre a Raquel? Não a autora… a mulher.


A Raquel…? Ah… Há tanta coisa para se dizer dela. É uma sonhadora e uma idealista acima de tudo, uma pessoa que acredita fortemente que pode mudar o mundo. É alguém que aprende muito com as palavras, o ser humano mais teimoso deste universo, alguém que explode facilmente e que se arrepende mais do que deveria. Teve as suas dificuldades ao longo da vida, mas superou-as todas sozinha. Caiu muitas vezes e levantou-se sempre. É baixinha e pode parecer a pessoa mais ingénua e ignorante do mundo — às vezes, é —, mas é um osso duro de roer. Sempre teve uma visão muito pessimista no que se refere a homens e, ainda assim, é a pior e mais incorrigível das românticas. É extremamente conservadora consigo própria e extremamente liberal com os outros, não se preocupando minimamente com a impressão que tal contraste possa causar no alheio. Tem as suas paixões, os seus ódios, vive mais para os outros do que para si mesma, e acredita facilmente. Demasiado facilmente. Gosta de se rir, de brincar, de fazer as mais lamentáveis figuras por pura diversão, mas também gosta de se sentar e aprofundar conversas, de conhecer almas e mentes. Pessoas ocas e materialistas são aquilo que ela mais detesta num ser humano. Para ela, é impensável uma pessoa dar uma fortuna por uns sapatos ou um carro e não dar um bocado de pão ao vizinho que passa fome. É rara a pessoa que a consegue enganar, e quem o faz é rapidamente descoberta. Sensitiva, cristã [não católica, não anglicana, apenas cristã], infantil, demasiado bruta, passional, leal e excessivamente honesta. Quando escreve, dá tudo o que tem. Odeia incompetência, odeia ser incompetente. Se é para trabalhar, ela fá-lo até à exaustão. E é comum ceder aos pedidos dos amigos, parando tudo o que está a fazer para os ajudar. Para a Raquel, o amor não tem nada de físico. Tem de ser a mais linda e intensa fantasia. Se não for assim, não é amor. Para a Raquel, uma pessoa que dá mais valor à aparência e conta bancária dos outros, não é gente, nem é bicho. Não queiram saber o que para ela são seres humanos desse calibre. É uma chorona diplomada. Sente tudo a dobrar, tão intensa que às vezes roça a loucura. Prefere o isolamento, a solidão campestre, do que a socialização. É sozinha que se sente melhor. E, infelizmente, o rosto dela é um livro aberto. Aquilo que sente, aquilo que pensa, para sua desgraça, é traduzido com demasiada evidência nas faces. As suas paixões são os animais, a arte, a escrita e a culinária. O seu doce pecado literário continuam a ser os romances de cordel. Prefere o campo à cidade. A montanha ao mar. A neve ao sol. O café ao chá. Gosta do seu chocolate bem negro e amargo, e da sua comida bem estranhamente portuguesa, o mais tradicional possível. A Raquel é… um alien vindo de um tempo muito antigo e de um planeta muito distante. À noite tira a pele e de dentro dela sai um dragão. Mas sheee… os americanos estão a vigiar-nos.

#42 Um Mais Um: A Fórmula da Felicidade

Título: Um Mais Um: A Fórmula da Felicidade
Título Original: One Plus One
Autor: Jojo Moyes
Editor: Porto Editora
PVP: 17,70€

Sinopse: "Uma mãe por conta própria
Jess Thomas faz o seu melhor, dia após dia. É difícil lutar sozinha.
E, por vezes, assume riscos que não devia. Apenas porque tem de ser…

Uma família caótica
Tanzie, a filha de Jess, é uma criança dotada e brilhante a lidar com números, mas sem apoio nunca terá oportunidade de se revelar.
Nicky, enteado de Jess, é um adolescente reservado, que não consegue sozinho fazer frente às perseguições de que é alvo na escola.
Por vezes, Jess sente que os filhos se estão a afundar…

Um desconhecido atraente
Ed Nicholls entra nas suas vidas. Ele é um homem com um passado complicado que foge desesperado de um futuro incerto. Ed sabe o que é a solidão. E quer ajudá-los…

Uma história de amor inesperada
Um mais um - A fórmula da felicidade é um romance cativante e original sobre duas pessoas que se encontram em circunstâncias difíceis."

A Minha Opinião:

Jojo Moyes é a minha autora preferida e mais uma vez mostrou o seu grande talento neste livro. "Um Mais Um" conta-nos a história de Jess uma mãe solteira que faz de tudo para criar dois filhos sozinha. Tanzie é uma menina simples e muito carinhosa, apaixonada por matemática e Nicky é um adolescente gótico que sofre de bullying por parte dos vizinhos. Ed é um empresário de sucesso que, para se ver livre de uma mulher, acaba por se meter em problemas judiciais e refugia-se em Beachfront onde conhece Jess, a sua empregada de limpeza. O destino leva a que Ed ajude Jess numa situação com Tanzie e durante esse tempo acabam por se envolver e declarar o seu amor um ao outro.

Esta história é absolutamente fantástica, com personagens corajosas, destacando a Jess que faz de tudo para poder dar o melhor aqueles que ama, e que nos faz querer saber mais e mais sobre esta família e as suas peripécias.

Jess é uma mulher guerreira que eu simplesmente adorei, Ed um homem que, mesmo perdendo tudo, conseguiu dar a volta à situação, Tanzie é simplesmente maravilhosa e é impossível não nos sentir-mos atraídos pela sua inteligência e Norman, o cão, mostra que o amor canino não têm fronteiras e que um cão é capaz de tudo para defender o seu dono.

Não tenho nada de negativo a apontar ao livro, é uma história simplesmente perfeita que, do meu ponto de vista, deveria de ser lida por todos pois faz-nos pensar no amor de uma mãe e naquilo que ela é capaz de fazer por um filho mesmo que isso vá contra os princípios dela.

Classificação do livro: 10/10